Paolla Oliveira, me desculpe pelas pessoas que comentaram o seu corpo…

Começo da semana passada, pré estreia de filme, atriz que faz o papel principal aparece para ser fotografada. Mídia cobre o evento, fotos dos artistas percorrem a internet, pessoas comentam. Até aí, uma cena normal na vida de todo artista.

Mas… peraí. Que comentários são esses??

Eles já seriam problemáticos por si só apenas por sua existência, afinal, comentar o peso alheio é sempre uma atitude que deveria ser repensada e evitada. Mas tudo fica um pouco mais grave e sem noção quando ficamos sabendo que os comentários são direcionados à Paolla Oliveira, uma atriz que está dentro de todos os padrões possíveis.

Isso não deveria me chocar, mas chocou. Me lembrei na hora de uma conversa que tive com uma atriz de milhões de seguidores. Pra mim ela estava perfeitamente dentro do padrão de beleza e magreza exigido na sociedade, mas não. Ela me contou que engordou e eu disse que ninguém notaria, erro meu. Em menos de dois minutos ela me mostrou uma foto sua de biquini nas redes sociais. Uma foto linda, feliz, mas repleta de comentários bem parecidos com esse que ilustrei o post. A audiência demandava dela um ideal de perfeição. Nesse dia parei para pensar no nosso papel nisso tudo. Precisamos refletir sobre essa cobrança por perfeição de quem está na mídia. O grau de exigência com as celebridades é outro, não é à toa que modelos e atrizes sofrem tanto de questões alimentares e poucas vezes têm a oportunidade de comer sem culpa, se é que muitas sabem o que é isso. 

Outro caso que nos fez pensar sobre isso? O da Bruna Marquezine no carnaval! Para muitas mulheres foi uma ofensa ver uma mulher rica, bonita e magra sem peitos de silicone, como se peitos naturais fossem uma afronta, um enorme problema… de falta de perfeição. 

Mais um corpo de famosa atacado por não ser perfeito o suficiente. Mas que perfeição doentia é essa??

Foi nesse contexto que o caso da Paolla Oliveira mexeu comigo. Independente de opiniões sobre a roupa escolhida, o styling e afins, só conseguia pensar que o corpo dela estava ali, sendo comentado, debatido e julgado, e ninguém importando se isso será um gatilho negativo pra ela. Um monte de gente falando que ela está gorda, com uma barriga estranha e afins, mas se ela falar dos sacrifícios que faz pra emagrecer, diremos que ela está fazendo um desserviço aumentando o grau de exigência das mulheres pela magreza. Se ela se achar gorda enquanto está magra, a gente se ofende pois ela ainda está magra.

Parece que  esquecemos que a pressão estética adoece muitas mulheres, principalmente quem tem o corpo como ferramenta de trabalho. No caso delas, é como se falássemos de uma “super pressão estética”, só que dessa vez não vem da mãe, do namorado ou da amiga, e sim da massa, ou de diretores e produtores que têm medo da audiência cair se tudo não for tão perfeito assim. Nessa hora representatividade parece até cota.

Com esse tipo de comentário fica impossível não praticar alguma dose de empatia e imaginar a pressão por perfeição que elas sofrem. Queremos que as atrizes e influenciadoras não incentivem a magreza exagerada? Queremos que elas dissociem o exercício da compensação por comida? Queremos que elas parem de incentivar culpa na alimentação? Então precisamos acolhe-las mais e questionar quem as julga.

Por que pessoas comuns, que sofrem para ter um corpo aceito socialmente, cobram a perfeição de uma celebridade? Esses comentários têm uma parte de responsabilidade nesse ciclo vicioso e precisamos também falar sobre eles, da mesma forma que falamos de todos os outros riscos.

Mais da metade das adolescentes desenvolvem algum tipo de transtorno alimentar proveniente dessa magreza exagerada incentivada. A não flexibilidade desse padrão opressor de beleza adoece as pessoas, e quem está inserida num ambiente de cobrança maior – como é o caso da Paolla – sequer consegue enxergar seu corpo fora da sua bolha, seu recorte.

A culpa para alguns é da revista, que só coloca na capa a mulher que estiver exageradamente magra. Para outros é da emissora, que só dá papéis para mulheres que vestem 38 para baixo, mas pouco lembramos da parcela de responsabilidade das pessoas que criticam e atacam os corpos que, apesar de dentro do padrão da sociedade, não estão perfeitos o suficiente para quem faz sucesso. Como se as celebridades tivessem que pagar um preço sobre-humano de atender a uma exigência maior só por serem bem sucedidas nas suas carreiras. Muitas vezes de vítimas elas vão a algoz e parte da cobrança vem de algumas de nós.

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